

Receber o diagnóstico de Esclerose Múltipla (EM) já é um desafio imenso. A esperança surge com a indicação de tratamentos modernos e eficazes como o Ocrevus (Ocrelizumabe), capaz de mudar o curso da doença. No entanto, para muitos pacientes no Brasil, essa esperança é abruptamente interrompida pela negativa de cobertura do plano de saúde ou pela dificuldade de acesso via SUS. A frustração, a angústia e a sensação de impotência são compreensíveis, mas é vital saber: essa barreira pode e deve ser superada.
A recusa em fornecer o Ocrevus não é apenas um obstáculo burocrático; é uma ameaça direta à sua saúde e qualidade de vida, impedindo o acesso a um tratamento que pode prevenir danos neurológicos permanentes. Felizmente, a legislação brasileira e a atuação do Poder Judiciário oferecem um caminho sólido para garantir seus direitos.
Neste artigo, preparado pelo Dr. José Guimas, advogado especialista em Direito da Saúde, vamos expor por que as negativas do Ocrevus são frequentemente ilegais e como você pode agir, através de ação judicial com pedido de liminar, para obter rapidamente o medicamento essencial ao seu tratamento. Não desista da sua saúde.
A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune e crônica que afeta o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), causando inflamação e danos à mielina, a camada protetora dos neurônios. Isso pode levar a uma variedade de sintomas incapacitantes, como fadiga extrema, problemas de visão, dificuldades motoras, dor e comprometimento cognitivo, com surtos e progressão ao longo do tempo.
Como o Ocrevus Revolucionou o Tratamento:
O Ocrelizumabe (Ocrevus) representa um avanço significativo por ser uma terapia anti-célula B. Ele age de forma direcionada, atacando e removendo tipos específicos de células B do sistema imunológico, que desempenham um papel central na inflamação e no dano neurológico característicos da EM.
Benefícios Comprovados: Estudos clínicos robustos (como OPERA I, OPERA II para EM Remitente-Recorrente e ORATORIO para EM Primária Progressiva) demonstraram que o Ocrevus:
Reduz significativamente a taxa de surtos.
Atrasa a progressão da incapacidade física.
Diminui as lesões cerebrais detectadas por ressonância magnética.
Para muitos pacientes, especialmente aqueles com formas mais agressivas ou progressivas da doença, o Ocrevus é a principal esperança para manter a funcionalidade e a qualidade de vida a longo prazo.

Apesar da eficácia comprovada e da indicação médica precisa, a negativa de fornecimento do Ocrevus é uma realidade enfrentada por inúmeros pacientes. As justificativas apresentadas pelas operadoras de saúde e, por vezes, pela gestão do SUS, frequentemente carecem de respaldo legal.
Esta é talvez a desculpa mais comum. O Rol de Procedimentos da ANS lista a cobertura mínima obrigatória.
Realidade: O Ocrevus está incluído no Rol da ANS para tratamento da Esclerose Múltipla Remitente-Recorrente (EMRR) e Primária Progressiva (EMPP), mas existem Diretrizes de Utilização Técnica (DUTs) que estabelecem critérios específicos.
O Ponto Chave: Mesmo que o paciente não se encaixe exatamente nas DUTs, ou mesmo se a indicação fosse para uma condição não prevista (uso off-label com respaldo científico), a negativa pode ser considerada abusiva. O registro do medicamento na ANVISA e a prescrição médica fundamentada são fatores preponderantes. A Lei dos Planos de Saúde se sobrepõe a resoluções administrativas como o Rol quando a saúde do paciente está em risco.
O Ocrevus é, inegavelmente, um medicamento de alto custo. No entanto, usar apenas o preço como motivo para a negativa é ilegal.
Realidade: O contrato do plano de saúde garante a cobertura para o tratamento da doença (listada na CID), e não pode haver limitação quanto ao tipo de terapia indicada pelo médico assistente como a mais adequada. O objetivo do plano é justamente dar acesso a tratamentos necessários, mesmo que caros.
O acesso via Sistema Único de Saúde (SUS) também enfrenta desafios. Embora o Ocrevus esteja incorporado para algumas indicações, o fluxo de obtenção pode ser lento, complexo e sujeito a longas esperas nos Centros de Referência (CACON/UNACON) ou farmácias de alto custo.
Realidade: A demora excessiva ou a falta de acesso efetivo no SUS também pode ser combatida judicialmente, obrigando o Estado ou a União a fornecer o medicamento.
Diante de uma negativa, é crucial entender que a lei está, na maioria das vezes, ao seu lado:
Direito à Saúde e à Vida: Garantidos pela Constituição Federal como direitos fundamentais.
Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/98): Determina a cobertura obrigatória para todas as doenças listadas na Classificação Internacional de Doenças (CID). Se a EM tem cobertura, o tratamento prescrito pelo médico, desde que aprovado pela ANVISA, também deve ter.
Código de Defesa do Consumidor: Considera nulas as cláusulas contratuais que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou restrinjam direitos inerentes à natureza do contrato, como é o caso da recusa de tratamento essencial.
Registro na ANVISA: O Ocrelizumabe (Ocrevus) possui registro válido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, atestando sua segurança e eficácia.
Jurisprudência Pacificada: Os Tribunais de Justiça em todo o Brasil, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), têm um entendimento consolidado de que a negativa de medicamentos essenciais, mesmo que fora do Rol da ANS ou de alto custo, é abusiva quando há indicação médica clara e registro na ANVISA.
Visão do Especialista – Dr. José Guimas:
“A negativa do Ocrevus, sob o pretexto do Rol da ANS ou do custo, ignora a legislação e a jurisprudência consolidadas. O que define a obrigatoriedade de cobertura é a necessidade clínica do paciente, atestada pelo médico, para uma doença coberta pelo contrato, e o devido registro sanitário na ANVISA. Qualquer cláusula ou interpretação restritiva que coloque em risco a saúde ou a vida do paciente é passível de anulação judicial. A liminar é a ferramenta jurídica que permite garantir o acesso rápido a esse direito fundamental.”
Entendemos a urgência e as dúvidas que surgem neste momento. Aqui estão as respostas para as perguntas mais frequentes:
O Plano de Saúde é sempre obrigado a fornecer Ocrevus?
Se o Ocrevus foi prescrito por seu médico através de um relatório detalhado e justificado, e o medicamento tem registro na ANVISA (como tem), a recusa do plano é, na esmagadora maioria dos casos, considerada ilegal e abusiva pela Justiça. A cobertura é a regra.
Ocrevus está no Rol da ANS para minha forma de EM?
Atualmente, sim, para Esclerose Múltipla Remitente-Recorrente (EMRR) e Primária Progressiva (EMPP). Contudo, existem Diretrizes de Utilização (DUTs). Se o plano negar mesmo assim, ou se você não se encaixar perfeitamente nas DUTs mas seu médico justificar a necessidade, a ação judicial com pedido de liminar é totalmente viável e recomendada.
Como forçar o SUS a fornecer Ocrevus?
É necessário ingressar com uma ação judicial contra o ente público responsável (Estado ou União). Será preciso comprovar a imprescindibilidade do Ocrevus (relatório médico detalhado), a incapacidade financeira de arcar com o custo e, geralmente, a falha ou ineficácia das alternativas fornecidas pelo SUS.
Em quanto tempo a liminar para Ocrevus costuma sair?
A liminar é uma decisão de urgência. Após o ingresso da ação com a documentação completa, um juiz pode analisar o pedido em questão de dias ou poucas semanas. O objetivo é garantir o início imediato do tratamento, dada a natureza progressiva da Esclerose Múltipla.
Que documentos meu médico precisa preparar para a ação do Ocrevus?
Este é um ponto CRÍTICO. Peça ao seu médico um relatório clínico EXTREMAMENTE detalhado, contendo:
Diagnóstico completo (CID da Esclerose Múltipla).
Histórico do paciente, tratamentos já realizados e resultados (ou falhas).
Justificativa científica clara e robusta para a escolha do Ocrevus (por que ele é superior ou insubstituível no seu caso).
Indicação da urgência do tratamento e os riscos da sua não utilização (progressão da doença, danos irreversíveis).
Prescrição do medicamento (dosagem, frequência).

A negativa não é o fim da linha. Siga estes passos para buscar seu direito:
Obtenha a Negativa Formal: Solicite ao plano de saúde ou ao SUS a recusa por escrito ou por e-mail, com o motivo detalhado. Guarde protocolos de ligação se a negativa for por telefone. É a prova fundamental.
Reúna a Documentação Médica Completa: Além do relatório detalhado e da prescrição, junte exames relevantes (ressonâncias magnéticas, etc.) que comprovem a doença e a necessidade do tratamento.
Organize Seus Documentos Pessoais e do Plano/SUS: RG, CPF, comprovante de residência atualizado, carteirinha do plano, últimos comprovantes de pagamento (se plano privado), ou cartão do SUS.
Consulte um Advogado Especialista em Direito da Saúde: Este é o passo estratégico. Analisaremos toda a documentação, avaliando a melhor estratégia jurídica e saberá como agir rapidamente para buscar a liminar. A expertise faz toda a diferença na agilidade e sucesso do processo.
Ajuizamento da Ação com Pedido de Liminar: Vamos preparar a petição inicial, explicando os fatos, o direito e a urgência, e solicitará ao juiz uma decisão liminar (provisória e imediata) para obrigar o plano ou o SUS a fornecer o Ocrevus, geralmente sob pena de multa diária em caso de descumprimento.
A Esclerose Múltipla é uma corrida contra o tempo. A doença pode progredir silenciosamente, e cada surto ou avanço da incapacidade pode deixar sequelas permanentes. A Justiça brasileira, ciente disso, costuma tratar os pedidos de liminar para medicamentos essenciais como o Ocrevus com a devida urgência.
O fundamento é claro: proteger o direito à saúde e à vida e evitar danos irreparáveis. Um tratamento iniciado rapidamente pode significar a diferença entre manter a autonomia e enfrentar uma incapacidade severa. Dados gerais da judicialização da saúde no Brasil 2025 indicam que liminares bem fundamentadas, especialmente em casos oncológicos e neurológicos graves, têm altas taxas de sucesso, demonstrando a sensibilidade do Judiciário à urgência médica.
Enfrentar uma batalha legal enquanto se lida com a Esclerose Múltipla pode parecer esmagador. É por isso que contar com um advogado especialista faz toda a diferença.
Nossa equipe tem vasta experiência em Direito da Saúde, com atuação focada na defesa dos direitos dos pacientes contra negativas abusivas de planos de saúde e do SUS. Compreendemos a complexidade dos casos envolvendo medicamentos de alto custo como o Ocrelizumabe (Ocrevus) e estamos preparados para agir de forma estratégica e ágil, buscando a liminar como medida prioritária para garantir o acesso rápido ao seu tratamento.
Nossa missão é traduzir o jargão jurídico em soluções práticas e lutar incansavelmente para que seu direito à saúde seja respeitado.
A negativa do Ocrevus (Ocrelizumabe) pelo seu plano de saúde ou a dificuldade de acesso via SUS é uma barreira injusta, mas não intransponível. Você tem direitos sólidos garantidos pela lei e pela Justiça brasileira.
A ação judicial com pedido de liminar é uma ferramenta poderosa e eficaz para reverter essa situação rapidamente, garantindo que você possa iniciar ou continuar seu tratamento essencial contra a Esclerose Múltipla sem mais demoras. O tempo é crucial, e a via judicial é o caminho mais seguro para proteger sua saúde.
Não permita que uma decisão administrativa ou o alto custo definam o seu futuro. Se o Ocrevus foi negado, aja agora.
Entre em contato com o escritório do Dr. José Guimas. Oferecemos análise especializada do seu caso e orientação sobre os próximos passos para garantir seu acesso ao Ocrevus.
José Guimas é um advogado especialista nas áreas da saúde do direito. Isso significa que dedicamos todas nossas energias para entregar solução e tranquilidade àqueles que precisam do nosso apoio.